segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E eu que achava que meu castelo tinha se destruído, me enganei. Ele nunca existiu.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Julgou-se preparado para ouvir certa música, mas a chuva e o silêncio nem sempre tem compaixão. Riscou um nome da lista, apagou um vídeo, mas as palavras continuavam intactas. A culpa foi delas, das palavras certas na hora certa, que se perderam pelo caminho e chegaram tarde demais na companhia de Morfeu. Foi o reflexo no asfalto molhado, fones nos ouvidos e olhos que ainda não conseguiam ver.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Aprendeu a não olhar mais naquela direção; A não passar mais daquele lado da rua; A mudar o caminho pra casa; A não procurar em meio à multidão; A não seguir seus passos de longe e em silêncio; A não adivinhar mais a hora que acorda e que vai dormir, A não sofrer seus sentimentos; A não te cercar através das pessoas; A não ver o mundo com teus olhos; Mas não tem fórmula, regra ou lei que o faça ouvir aquela música sem sentir a melodia fluir de tuas mãos em fusão com tua voz.
Essa mania de contar o tempo, dar nome aos sentimentos e rótulos aos relacionamentos não são exatamente os meus pratos preferidos.
Talvez eu já tenha escrito em algum outro pedaço qualquer de papel e esteja sendo repetitiva. Mas, é que eu realmente já tive a impressão, mais de uma vez, de que de tanto lembrar dos momentos, depois de um tempo, nem parece mais que aconteceram de verdade. Deve ser esse costume de ‘brincar’ de continuar as histórias dos livros, dos filmes, das peças, na minha cabeça. Acho que quando se trata das minhas histórias acabo adicionando uma série de sentimentos e me embriagando com tantas doses de lembranças reais e sonhadas.

Em uma escala de zero a cem provavelmente seria duzentos o nível de vergonha. Contudo, o mais torturante é não ter essa última lembrança. De acordo com a previsão do tempo foi realmente a última. Não o clima/tempo, a distância/tempo que existe entre nós.
Eu preferia ter passado o dia todo com febre de tão vermelha a não ter atendido aquele telefonema. Preferia ter medo de ouvir certa voz depois de um segundo eterno de silêncio e sentir o espanto disfarçado ao descobrir que fui eu.

Quem sabe agora eu poderia ter como última lembrança uma daquelas risadas sarcásticas que certamente me faria sorrir. Mas, eu estou sempre correndo contra o tempo, encaixotando os meus sentimentos e limitando os meus relacionamentos. Daqui um tempo não vai mais haver espaço no sotón pra guardar tanta vida deixada pra depois.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dois anos

Já era madrugada e o frio não se ausentava. Dividiram-se em dois carros e, mesmo sem saber o caminho, iriam lavá-las para casa. As ruas vazias faziam ecoar a música que tocava no carro como se ela nunca mais fosse esquecer cada nota, cada solo, cada palavra. Como já é de esperar em Curitiba, a garoa virou tempestade. Ela não sabia onde estava, o motorista e seus amigos visitavam a cidade e, no outro carro, queriam saber para onde todos estavam indo. É nessas horas que um GPS faz toda diferença. Dentro da cabeça dela o duelo entre angústia e saudade adiantada estava longe de terminar. Tenta esquecer que no outro dia não terá quem está do seu lado, mas a velocidade do para brisa contra o granizo a fazia olhar no relógio e ver que passava das duas da manhã. Como se não fosse aumentar ainda mais aquele sufoco ele encosta em sua mão e sem coragem de olhar ela só escuta: ‘ eu não queria encontrar o caminho certo, não queria ir embora ‘. Uma troca de olhares é seguida de um longo segundo de silêncio. A chuva então fica fina e constante como quem quer ficar. Cada esquina os aproximava à volta a rotina, as mesmas coisas evitáveis de forma inevitável. Como final de filme que não dá pra saber se terá continuação.
O Caminho já não era mais estranho. Ela então avisa que se um dia fossem o fazer de volta era melhor não andar na linha do transporte coletivo. Enfim chegaram, porém o destino era bem longe dali. Ela então sorri triste, um riso contido, mas sincero, seguido de um abraço e de algumas palavras. Mas palavras foram tantas as trocadas que não havia mais nada a ser dito, somente a ser sentido.
Ela então abre a porta do carro como quem estoura uma bolha de sabão e pisa no asfalto molhado como quem pisa pela primeira vez na areia salgada da praia. Era exatamente ali que andava em pequenos círculos ciente de que era a última chance de parar o tempo. Então parou. Desta vez o último abraço, aquele que não devia ter acontecido, mas que ela sabia que iria eternizar. Chuva gelada. Ele não queria que ela se molhasse. Não queria dizer adeus, então disse saudade sem causar dor, como se essa saudade fosse breve, como se fosse acabar ao nascer do sol. E se foi sem ir. E a deixou exatamente ali, mas sabe que no fundo estará sempre com ele.