segunda-feira, 19 de dezembro de 2011




Pai. O que é mais difícil, controlar a mente ou o coração?

Suportar uma mente controlada pelo coração.

Como assim?

Mais tarde tu vai entender. Não que eu deseje isso, mas quando perceber já vai ter entendido o que eu quis dizer.











quinta-feira, 15 de dezembro de 2011



Só não consigo entender porque hoje não pode ser só mais um dia em que tudo o que preciso é colocar um pouco de shampoo escondido dentro da banheira, até ficar com os dedos todos enrugados em meio a espuma.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Brincar de equilibrista andando nas costas do sofá escondido dos pais. Subir a escada do escorregador ao contrário. Prender uma toalha de banho nos ombros e virar super herói. Quando a gente é criança tudo é uma aventura.


(...) Ela ainda está lá fora, mas só pela velocidade dos passos sei que é minha avó vindo trazer vitamina de abacate ou um pedaço de bolo, ainda quente coberto com uma toalhinha que ela mesma bordou.

_ Senta direito nesse sofá polaca, não vê que o sangue desce pra cabeça?... Mania de querer ver tudo ao contrário!

De baixo para cima vejo nos pés um dos seus sapatinhos cheios de ‘frufru’, acompanhado por um dos seus vestidos cor de alegria, cor de vida!


Quando a gente é criança ver o mundo de ponta cabeça não passa de uma brincadeira. Até que crescemos e sem querer nos sentimos de cabeça para baixo  inúmeras vezes. Mas, dessa vez a brincadeira é mais séria.

domingo, 20 de novembro de 2011



(...) Risos

A: Desculpa
B: Não!
A: E o que acontece quando não desculpa?
B: Eu fico bravo pra sempre
A: Pra sempre não existe
B: Claro que existe!
A: Pra sempre sempre acaba
B: Então enquanto eu estiver vivo

Risos (...)

domingo, 30 de outubro de 2011


Tempo: medida de duração dos fenômenos; período; época; estado atmosférico; momento ou ocasião própria; ensejo; cada uma das partes do compasso...

 Mas qual o real significado dele pra cada um de nós? Real. Será mesmo que ele existe? Ou alguém que não aguentava mais esperar por alguma coisa o inventou pra que passasse logo, ou pra fugir dele, ou simplesmente estava sem assunto e começou falando sobre a chuva de ontem a noite. Ontem, um pedaço de tempo sabor dois amores que vira hoje pra se transformar em amanhã e voltar a ser ontem. Tem forma de número, valor de dinheiro, cor de saudade, de ansiedade, medo da idade. É o dia e a noite, o vilão e o mocinho, a doença e a cura. Sem nunca ao menos ser, sem nunca alguém ter visto e mesmo sem ter visto não poder evitar senti-lo.


Ninguém sabia se fazia tempo que estava pra acontecer, se estava pra acontecer. E se não tivesse acontecido? Quanto tempo levaria pra acontecer? Se iria dar tempo de acontecer. E quanto tempo iria durar? É melhor não começar a contar, é melhor apenas deixá-lo passar sem se apressar nem se atrasar. Por que temos mania de passar a maior parte do tempo perdendo tempo esperando que algo aconteça daqui um tempo e acabamos pulando certos momentos? Depois de um tempo o medo passou.


Essa 'coisa' alucinógena que nos faz ter a sensação de que está participando de uma maratona quando estamos com os amigos, mas quando estamos na fila do banco se multiplica por vinte e dois mil setecentos e oitenta e seis vezes os quatro minutos que faltam pra bater o cartão e sair do trabalho na sexta feira. Uma coisa que ás vezes preciso que leve o álbum da minha banda preferida inteiro pra chegar ao meu destino, mas leva apenas três ou quatro músicas. Algo que ás vezes volta e ás vezes pára sem nunca ter saído do lugar. Que é bom e é um ruim ao mesmo tempo quando se passa na fila de um show esperado por vidas e vidas até chegar o tão esperado dia. Que não contente por viver nossas histórias mais que nós mesmos, nunca nos diz a hora certa de fazer as coisas e quando erramos não nos permite voltar no começo do jogo pra tentarmos de novo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A: OI
B: Oi
A: Tudo bem?
B: Que?
A: Tudo?
B: Não, falta!
A: Falta oque?
B: Não sei
A: Falta alguém?
B: Não sei
A: Falta oque então?
B: Falta aquela sensação boa que eu só sentia com alguém.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Precisei me hospedar no teu paraiso pra encontrar o meu inferno. Agora eu corro desse lugar onde passei meses em uma imensa fila que só me deixou cada vez mais invisível desde que me ofereceu a sua frente.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E eu que achava que meu castelo tinha se destruído, me enganei. Ele nunca existiu.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Julgou-se preparado para ouvir certa música, mas a chuva e o silêncio nem sempre tem compaixão. Riscou um nome da lista, apagou um vídeo, mas as palavras continuavam intactas. A culpa foi delas, das palavras certas na hora certa, que se perderam pelo caminho e chegaram tarde demais na companhia de Morfeu. Foi o reflexo no asfalto molhado, fones nos ouvidos e olhos que ainda não conseguiam ver.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Aprendeu a não olhar mais naquela direção; A não passar mais daquele lado da rua; A mudar o caminho pra casa; A não procurar em meio à multidão; A não seguir seus passos de longe e em silêncio; A não adivinhar mais a hora que acorda e que vai dormir, A não sofrer seus sentimentos; A não te cercar através das pessoas; A não ver o mundo com teus olhos; Mas não tem fórmula, regra ou lei que o faça ouvir aquela música sem sentir a melodia fluir de tuas mãos em fusão com tua voz.
Essa mania de contar o tempo, dar nome aos sentimentos e rótulos aos relacionamentos não são exatamente os meus pratos preferidos.
Talvez eu já tenha escrito em algum outro pedaço qualquer de papel e esteja sendo repetitiva. Mas, é que eu realmente já tive a impressão, mais de uma vez, de que de tanto lembrar dos momentos, depois de um tempo, nem parece mais que aconteceram de verdade. Deve ser esse costume de ‘brincar’ de continuar as histórias dos livros, dos filmes, das peças, na minha cabeça. Acho que quando se trata das minhas histórias acabo adicionando uma série de sentimentos e me embriagando com tantas doses de lembranças reais e sonhadas.

Em uma escala de zero a cem provavelmente seria duzentos o nível de vergonha. Contudo, o mais torturante é não ter essa última lembrança. De acordo com a previsão do tempo foi realmente a última. Não o clima/tempo, a distância/tempo que existe entre nós.
Eu preferia ter passado o dia todo com febre de tão vermelha a não ter atendido aquele telefonema. Preferia ter medo de ouvir certa voz depois de um segundo eterno de silêncio e sentir o espanto disfarçado ao descobrir que fui eu.

Quem sabe agora eu poderia ter como última lembrança uma daquelas risadas sarcásticas que certamente me faria sorrir. Mas, eu estou sempre correndo contra o tempo, encaixotando os meus sentimentos e limitando os meus relacionamentos. Daqui um tempo não vai mais haver espaço no sotón pra guardar tanta vida deixada pra depois.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dois anos

Já era madrugada e o frio não se ausentava. Dividiram-se em dois carros e, mesmo sem saber o caminho, iriam lavá-las para casa. As ruas vazias faziam ecoar a música que tocava no carro como se ela nunca mais fosse esquecer cada nota, cada solo, cada palavra. Como já é de esperar em Curitiba, a garoa virou tempestade. Ela não sabia onde estava, o motorista e seus amigos visitavam a cidade e, no outro carro, queriam saber para onde todos estavam indo. É nessas horas que um GPS faz toda diferença. Dentro da cabeça dela o duelo entre angústia e saudade adiantada estava longe de terminar. Tenta esquecer que no outro dia não terá quem está do seu lado, mas a velocidade do para brisa contra o granizo a fazia olhar no relógio e ver que passava das duas da manhã. Como se não fosse aumentar ainda mais aquele sufoco ele encosta em sua mão e sem coragem de olhar ela só escuta: ‘ eu não queria encontrar o caminho certo, não queria ir embora ‘. Uma troca de olhares é seguida de um longo segundo de silêncio. A chuva então fica fina e constante como quem quer ficar. Cada esquina os aproximava à volta a rotina, as mesmas coisas evitáveis de forma inevitável. Como final de filme que não dá pra saber se terá continuação.
O Caminho já não era mais estranho. Ela então avisa que se um dia fossem o fazer de volta era melhor não andar na linha do transporte coletivo. Enfim chegaram, porém o destino era bem longe dali. Ela então sorri triste, um riso contido, mas sincero, seguido de um abraço e de algumas palavras. Mas palavras foram tantas as trocadas que não havia mais nada a ser dito, somente a ser sentido.
Ela então abre a porta do carro como quem estoura uma bolha de sabão e pisa no asfalto molhado como quem pisa pela primeira vez na areia salgada da praia. Era exatamente ali que andava em pequenos círculos ciente de que era a última chance de parar o tempo. Então parou. Desta vez o último abraço, aquele que não devia ter acontecido, mas que ela sabia que iria eternizar. Chuva gelada. Ele não queria que ela se molhasse. Não queria dizer adeus, então disse saudade sem causar dor, como se essa saudade fosse breve, como se fosse acabar ao nascer do sol. E se foi sem ir. E a deixou exatamente ali, mas sabe que no fundo estará sempre com ele.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

As vezes eu queria conseguir dar um 'pause' no meu cerébro e parar de pensar, mas eu nunca encontro o controle 'remoto'.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

_Bom dia meu amor!
_Bom dia meu amor, café ou chá?
_Já está na mesa minha linda.
_Own... Eu te amo sabia?
_Eu amo mais.

Novecentos e doze dias e três dr's pendentes depois:

_Bom dia!
_Bom dia amor.
_Já está doce?
_Já.
_É açúcar?!
_Descculpa, nem lembrei que usa adoçante.

Oitocentos e dezeseis dias e um apartamento para terminar de pagar depois:

_Me passa a manteiga por favor?
(alcança em silêncio)
_Não vou jantar em casa está noite, tenho clientes até tarde.
_Ok. Pagou a conta de telefone ontem?
_Teria pago se soubesse onde a escondeu...

Quatrocentos e vinte e sete dias e uma crise de tpm depois:

_Que horas são?
_Sete e treze.
_P*TA QUE PARIU! Custava me acordar?
_Desculpa, 'to' atrasada.
(Bate a porta).

quarta-feira, 27 de julho de 2011


Se a vida é mesmo uma escola, ela deveria ter capítulos que completam um daqueles livros em que nas últimas folhas contém as respostas das perguntas feitas nas unidades. Assim sempre que não estivéssemos sabendo resolver alguma questão, mesmo depois de horas de estudo e análise do problema, poderíamos dar uma coladinha, só desta vez. Já foi provado que quando colamos não esquecemos mais. Nesse caso não teria contra indicação, pois não existe vestibular da vida mesmo e nem alguém no próximo ano que possa ver qual a alternativa marcada.
Por que a vida só se vive uma vez e um erro talvez não tenha recupereção ou borracha boa o suficiente para apagá-lo totalmente.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

No consultório médico:

O que está acontecendo?
Estou com um sério problema de memória doutor
Em que momentos do dia tem sido mais forte?
Quando acordo, ao ouvir certa banda no rádio, se alguém por perto usa certo perfume, se vou à certos resturantes, ao ouvir o toque de mensagem no celular e quando vou durmir
Quais são as coisas mais importantes que tem deixado de fazer por causa do problema?
Todas, menos deixar de pensar o tempo todo em uma só pessoa.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O problema não são as minhas mentiras, são as minhas verdades. Por que nas minhas mentiras eu acredito, mas a minha realidade nem sempre eu aceito.

domingo, 3 de julho de 2011


Mesmo com os olhos fechados percebo que já está dia e não como de costume, está brilhando um lindo sol lá fora. Agradeço, minhas preces foram atendidas. Não apenas por ser sábado, mas por ser dia de churras. O esquema é ligar o celular para ver que horas são e dar uma olhada básica no twitter. Penso em comer algo , porém a pressa é maior. Ainda não sei exatamente que roupa usar e em meio a este dilema escuto uma voz que não vem de dentro da minha cabeça, uma não, duas. Em menos de um segundo reconheci e eram as vozes das minhas amigas. Mas o que elas estariam fazendo aqui se iríamos nos encontrar no meio do caminho para ir juntas? E então umas delas entra com cara de quem fez algo que não estava em seus planos e tinha coisas para contar. Primeiro diz que a nossa outra amiga também está aqui e que foram para awake na noite anterior, depois contam que se perderam e não encontraram o caminho de casa, por isso passaram na minha. Risadas à parte, seguimos para parte do nosso destino.
Ao chegarmos na reitoria haviam VÁRIAS pessoas esperando pelo transporte. Ok! Vamos esperar também. Mas, ainda faltava um amigo nosso e o ingresso dele estava conosco. Ligamos, ligamos, ligamos e ele não atendia. Conclusão: está vindo de moto. Enfim conseguimos.
Onde tu está?
Em frente a Santos Andrade.
Fechado, estamos te esperando aqui na reitoria.
Mas eu não sei chegar aí
Como não?
Não sei!
Está bem, iremos até aí então.
Na volta resolvemos andar um pouco mais rápido para não perder o transporte. Porém, tarde demais para ir com o que estava passando ao nosso lado. Sorte que tinha a segunda opção. Poisé, tinha até o minuto anterior, porque ele também estava saindo pela tangente dos nossos planos. Mesmo sem saber o que fazer continuamos indo na mesma direção. Quando alguém de dentro do ônibus acena deixando nossas esperanças ainda menores. É então que um grito vem em nossa direção: 'filet?' Siiim, respondemos em coro antes que não houvesse mais tempo.
Mas ainda estava faltando o nosso amigo. Telefone toca:
Piá, quase perdemos o ônibus, já estamos indo, mas é só pegar a rua que passa ao lado do Cep que tu já nos encontra.
Mandamos por mensagem todo o caminho para não se perder. Contudo, ele preferiu não ir. Agora tínhamos dois ingressos para vender antes de entrar. O dele e de uma amiga nossa que estava doente.
Chegando lá, depois de mais ou menos uma hora expondo nossas figuras na fila de carros conseguimos vender. Tinha gente da faculdade, dos churras, do Cep, do comunica e até de Telêmaco, haha.
Certa hora, é claro que não lembro a hora exata, avistamos um garoto sentado sozinho em baixo de uma árvore de caqui. Sua caneca cheia de cerveja e seus olhos de lágrimas. Tadinho, havia terminado com a namorada. Arrastamos ele com a gente.
Enfrentamos fila no banheiro, dançamos, nos perdemos, nos encontramos e o fim da noite se aproximava. 'Fim', que doce ilusão. O fim estava a quilômetros dali, literalmente.
Começou a chover. Como é que iríamos embora no meio daquele mangue e daquela água toda?
Nessas alturas já tínhamos perdido o transporte de volta fazia umas duas horas. Sorte que tinha alguns coleguinhas oferecendo carona. Se  a música acabou e estão apagando as luzes acho que é porque temos que ir embora. E assim fizemos. Chegamos no carro e já havia uma pessoa semi viva no banco de trás. Mas tudo bem.
É chegada a hora de fazer o caminho de volta. Poisé, o caminho de volta e não o que estávamos fazendo. Um carro, com um bando de perdidos no meio do mato, esse era o nosso 'status'. Aquele caminho ia dar no Acre mas não ia nos levar até nossas casas. Após mais ou menos uma hora o guri que estava dirigindo resolveu fazer meia volta. Voltei a respirar, mas meu celular continuava sem rede e minha mãe provávelmente sem coração.
Enfim voltamos à civilização, ainda não era o que queríamos, mas pelo menos ali havia vida. Parte da rua estava em reforma. O que consequentemente levou os guris a 'pegar' uma placa. Sim, do meio da rua. Ok, do canto da rua, que seja. Tive uma crise de risos de faltar ar quando olhei para o piá que estava no banco da frente sendo 'sufocado' por uma placa maior que ele.
Estávamos indo em direção a polícia, tínhamos que disfarçar, por isso o motorista abriu a janela completamente e ainda debruçou sobre ela. Depois fomos cada um para sua casa. Finalmente! No outro dia acordei com algumas picadas de pernilongos. De resto, as lembranças são boas.

quarta-feira, 15 de junho de 2011


Ela ficaria ótima como teu chaveiro de bolso, mas sente de longe cada vez que tu engole saliva em seco.
Uma vida inteira contada em um capitulo é pouco.
Quem recusa histórias inteiras tão pouco vai se satisfazer com a luz de um holofote apagado.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tamanho

Isso não é estranho?
É estranho o fato de que a presença das pessoas faz nos sentir de tamanhos diferentes.
Fui convidada para um passeio no sábado a tarde, no frio e sob o sol. Um passeio comum, porém bom de lembrar depois, como os dos filmes, aqueles em que em determinadas cenas são dispensados os figurantes, em que os protagonistas usam roupas leves, na maioria das vezes alegres e dão risada de coisas bobas. Ao menos estou imaginando assim e com algodão doce ou pipoca, ou os dois.
Só não consigo imaginar de que tamanho vou me sentir. Vejo flashs em minha mente de um tamanho confortável, mas faz tempo que a única coisa presente é a ausência de quem me faz me sentir assim. Nem grande nem pequena. As vezes grande, não maior do que eu sou, mas com coragem de ser o que eu realmente sou, de uma forma que cabem todos os meus desejos, mesmo os mais bizarros, sem medo. As vezes pequena, mas não de um jeito ruim, apenas de um jeito protegida, de um jeito delicado, mesmo fazendo careta. De um jeito confortável.
Isso não é estranho? 
Não é estranho descobrir que quando se conhece uma pessoa ela pode ter apenas o tamanho de mais um contato na sua lista telefonica ou passar a ocupar o tamanho de todo o seu pensamento?

domingo, 15 de maio de 2011


Há algum tempo. Não sei se muito ou pouco tempo, só sei que antes desse tempo passar o rosa era mais rosa. Os dias de sol mais iluminados; os de chuva mais acolhedores. Os sorrisos mais alegres e as lágrimas mais sinceras; as verdades mais confortáveis e as mentiras eram apenas mentirinhas. Os presentes não eram apenas presentes, eram surpresas e os segredos eram como cavernas soterradas. Mesmo com toda essa intensidade eu nunca havia percebido. Não havia percebido por tudo estar ali o tempo todo, ou aqui. Não sei ao certo, é porque não tinha lugar físico, ou tinha, e era dentro de mim.
Certa madrugada preparei um dos meus pratos preferidos: pão-mais-queijo-mais-alface. Depois que acabou o primeiro precisei de um segundo, porém o queijo havia acabado, mas isso não era um problema.
Tenho o costume de abrir o pão no meio e separar a parte de cima da de baixo, preparando na verdade dois pães. Comi a primeira parte, depois a segunda. Quando estava na metade dela percebi que algo estava estranho nesse pão. Lembrei da ausência do queijo. Foi então que eu percebi que quando estamos acostumados com as coisas não as notamos e percebemos sua importância quando se torna algo que não temos mais.