domingo, 15 de maio de 2011


Há algum tempo. Não sei se muito ou pouco tempo, só sei que antes desse tempo passar o rosa era mais rosa. Os dias de sol mais iluminados; os de chuva mais acolhedores. Os sorrisos mais alegres e as lágrimas mais sinceras; as verdades mais confortáveis e as mentiras eram apenas mentirinhas. Os presentes não eram apenas presentes, eram surpresas e os segredos eram como cavernas soterradas. Mesmo com toda essa intensidade eu nunca havia percebido. Não havia percebido por tudo estar ali o tempo todo, ou aqui. Não sei ao certo, é porque não tinha lugar físico, ou tinha, e era dentro de mim.
Certa madrugada preparei um dos meus pratos preferidos: pão-mais-queijo-mais-alface. Depois que acabou o primeiro precisei de um segundo, porém o queijo havia acabado, mas isso não era um problema.
Tenho o costume de abrir o pão no meio e separar a parte de cima da de baixo, preparando na verdade dois pães. Comi a primeira parte, depois a segunda. Quando estava na metade dela percebi que algo estava estranho nesse pão. Lembrei da ausência do queijo. Foi então que eu percebi que quando estamos acostumados com as coisas não as notamos e percebemos sua importância quando se torna algo que não temos mais.

domingo, 8 de maio de 2011


Voce fingia que a amava e ela fingia que acreditava. Disse acreditar que ela gostava de você. Mas se tivesse acreditado teria dito que a amava olhando nos  olhos. Agora ela sabe do que gostava. Do cabelo; Das unhas; Da forma como te olhava e te congelava por dentro; Do perfume; De a ouvir falar qualquer coisa. Gostou dela só por fora. Era apenas uma garota fútil nao é? Rosto de boneca de porcelana mas qualidade de boneca de plástico.Completamente oca por dentro. Até porque você levou contigo todos os seus sonhos.

terça-feira, 3 de maio de 2011


E se eu fosse teu cigarro? Provávelmente me jogaria no chão e até pisaria em cima, contudo, por ao menos um instante eu seria o ar que respirastes.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

É um nó que sobe até a garganta e quase sai pelos olhos antes de ser engolido no afago do suspiro.
É dor na epiderme que diminui a dor da alma.
É um passo no horizonte que volta no passado
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