domingo, 30 de outubro de 2011


Tempo: medida de duração dos fenômenos; período; época; estado atmosférico; momento ou ocasião própria; ensejo; cada uma das partes do compasso...

 Mas qual o real significado dele pra cada um de nós? Real. Será mesmo que ele existe? Ou alguém que não aguentava mais esperar por alguma coisa o inventou pra que passasse logo, ou pra fugir dele, ou simplesmente estava sem assunto e começou falando sobre a chuva de ontem a noite. Ontem, um pedaço de tempo sabor dois amores que vira hoje pra se transformar em amanhã e voltar a ser ontem. Tem forma de número, valor de dinheiro, cor de saudade, de ansiedade, medo da idade. É o dia e a noite, o vilão e o mocinho, a doença e a cura. Sem nunca ao menos ser, sem nunca alguém ter visto e mesmo sem ter visto não poder evitar senti-lo.


Ninguém sabia se fazia tempo que estava pra acontecer, se estava pra acontecer. E se não tivesse acontecido? Quanto tempo levaria pra acontecer? Se iria dar tempo de acontecer. E quanto tempo iria durar? É melhor não começar a contar, é melhor apenas deixá-lo passar sem se apressar nem se atrasar. Por que temos mania de passar a maior parte do tempo perdendo tempo esperando que algo aconteça daqui um tempo e acabamos pulando certos momentos? Depois de um tempo o medo passou.


Essa 'coisa' alucinógena que nos faz ter a sensação de que está participando de uma maratona quando estamos com os amigos, mas quando estamos na fila do banco se multiplica por vinte e dois mil setecentos e oitenta e seis vezes os quatro minutos que faltam pra bater o cartão e sair do trabalho na sexta feira. Uma coisa que ás vezes preciso que leve o álbum da minha banda preferida inteiro pra chegar ao meu destino, mas leva apenas três ou quatro músicas. Algo que ás vezes volta e ás vezes pára sem nunca ter saído do lugar. Que é bom e é um ruim ao mesmo tempo quando se passa na fila de um show esperado por vidas e vidas até chegar o tão esperado dia. Que não contente por viver nossas histórias mais que nós mesmos, nunca nos diz a hora certa de fazer as coisas e quando erramos não nos permite voltar no começo do jogo pra tentarmos de novo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A: OI
B: Oi
A: Tudo bem?
B: Que?
A: Tudo?
B: Não, falta!
A: Falta oque?
B: Não sei
A: Falta alguém?
B: Não sei
A: Falta oque então?
B: Falta aquela sensação boa que eu só sentia com alguém.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Precisei me hospedar no teu paraiso pra encontrar o meu inferno. Agora eu corro desse lugar onde passei meses em uma imensa fila que só me deixou cada vez mais invisível desde que me ofereceu a sua frente.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E eu que achava que meu castelo tinha se destruído, me enganei. Ele nunca existiu.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Julgou-se preparado para ouvir certa música, mas a chuva e o silêncio nem sempre tem compaixão. Riscou um nome da lista, apagou um vídeo, mas as palavras continuavam intactas. A culpa foi delas, das palavras certas na hora certa, que se perderam pelo caminho e chegaram tarde demais na companhia de Morfeu. Foi o reflexo no asfalto molhado, fones nos ouvidos e olhos que ainda não conseguiam ver.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Aprendeu a não olhar mais naquela direção; A não passar mais daquele lado da rua; A mudar o caminho pra casa; A não procurar em meio à multidão; A não seguir seus passos de longe e em silêncio; A não adivinhar mais a hora que acorda e que vai dormir, A não sofrer seus sentimentos; A não te cercar através das pessoas; A não ver o mundo com teus olhos; Mas não tem fórmula, regra ou lei que o faça ouvir aquela música sem sentir a melodia fluir de tuas mãos em fusão com tua voz.
Essa mania de contar o tempo, dar nome aos sentimentos e rótulos aos relacionamentos não são exatamente os meus pratos preferidos.
Talvez eu já tenha escrito em algum outro pedaço qualquer de papel e esteja sendo repetitiva. Mas, é que eu realmente já tive a impressão, mais de uma vez, de que de tanto lembrar dos momentos, depois de um tempo, nem parece mais que aconteceram de verdade. Deve ser esse costume de ‘brincar’ de continuar as histórias dos livros, dos filmes, das peças, na minha cabeça. Acho que quando se trata das minhas histórias acabo adicionando uma série de sentimentos e me embriagando com tantas doses de lembranças reais e sonhadas.

Em uma escala de zero a cem provavelmente seria duzentos o nível de vergonha. Contudo, o mais torturante é não ter essa última lembrança. De acordo com a previsão do tempo foi realmente a última. Não o clima/tempo, a distância/tempo que existe entre nós.
Eu preferia ter passado o dia todo com febre de tão vermelha a não ter atendido aquele telefonema. Preferia ter medo de ouvir certa voz depois de um segundo eterno de silêncio e sentir o espanto disfarçado ao descobrir que fui eu.

Quem sabe agora eu poderia ter como última lembrança uma daquelas risadas sarcásticas que certamente me faria sorrir. Mas, eu estou sempre correndo contra o tempo, encaixotando os meus sentimentos e limitando os meus relacionamentos. Daqui um tempo não vai mais haver espaço no sotón pra guardar tanta vida deixada pra depois.